Alguém bate palmas, Toca a campainha e corre, Se esconde.
A rua está vazia, O corpo está com fome, A vida padece.
No céu uma nuvem toma forma: Um grande elefante branco comendo Ruffles.
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(um outro começo) ...
21/05/09
herói,
na periferia, numa viela escura chove grosso
numa calçada um triste cão com seu osso resiste ao frio e à fome.
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20/05/09
o presente de meu pai:
cabeça torta, porta entreaberta, quarto escuro
roberta, mulher esperta, ataca: -entra rapaz, relaxa, deixa de marra!
acanhado, olhando pro chão, o rapaz desdobra: -certo, mas, onde ponho a roupa?
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19/05/09
a buceta espera na esquina.
o instante é fotografado por um turista:
a-noite-sendo os casarões, a esquina, a rua antiga do centro, a luz amarela do poste, a velha banguela que passa e pragueja o cão faminto, o moço que demora...
emaranhados de capim seco passam como nos faroestes americanos, anunciam algo,
nem ligo, espero ela ligar.
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17/05/09
sabe como me imagino um dia desses? sentado nalgum lugar terminando este poema.
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16/05/09
a mãe, que desde sempre sonhara com um filho poeta, não perdia tempo:
-menino, vá brincar...
vida vazia não enche poema!
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15/05/09
23:46
é tarde demais, mas logo, daqui a uns minutos, será cedo:
dia novinho em folha.
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14/05/09
este poema é sincero:
não termine a leitura. ela não vale seu tempo.
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13/05/09
descanso,
deitar e sentir os ossos furando o magro corpo pesado
(ventilador amenizando o calor, relógio cumprindo seu dever)
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12/05/09
papo de segurança
homem entra no banco: -relaxa, é branco.
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11/05/09
respingos poéticos,
cheiro de terra molhada histórias de terror cadeira de balanço casa da avó
chove lá fora, aqui dentro é só a lembrança caindo do telhado.
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10/05/09
sorry, new estopim,
eis o que todo poeta (ou não) quer:
-uma fase novinha em folha.
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09/05/09
enchente,
memórias amontoadas transbordam e escorrem pelos olhos.
(cabeça de lado, travesseiro, noite de sábado)
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08/05/09
o poema está chegando:
loading...
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saí em busca de uma vida melhor,
encontrei várias, só não pude vivê-las.
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quero sentir a poesia de teus poemas. quero sentir sem perder tempo com dicionários.
desde então, esta foi minha praga e ela teve que aguentar.
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noite fria, letra feia abuso o poema até a última linha, é ele ou nada.
até a última gota de tinta a caneta resiste e o poema se torna heróico.
deito, há algo em meu corpo. a poesia é visceral. o poema animal relincha, urge, sangra.
hoje, antecipo: meu sono não passará em branco de sonhos.
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o ultimo filme pornô que vi foi uma foda minha que assistir todinha pelo espelho.
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ontem a noite cansei de tanta informação desliguei o computador, o rádio, a televisão e deitado olhei as paredes brancas de meu quarto
ontem a noite me cansei de tanta informação, hoje pela manhã, não.
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papai noel, filho da puta, depois que cresci se esqueceu de mim.
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inspiração,
começo a desconfiar que exista sim.
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ameaça barata,
bicho escroto, nojento, pestilento sai logo do meu sapato antes que eu te suje com meu pé.
***
despedida do namorado motoboy,
é chegada a hora amor tenho que ir embora
começou a chover, o frio lá fora
é chegada hora.
***
o instante...
(os sentidos falham)
...passa.
***
tudo tão calmo...
e lá no escuro já não moram monstros.
tudo assim, meio muito comum. tudo assim, meio muito chato.
agora digo: -o céu nem é tão azul.
e toda a baboseira idealista se esvazia. agora, estou crescendo.
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na minha rua depois da novela as luzes vão se apagando.
ali, mesmo depois de um dia duro de trabalho, pedro, firme, vê mais uma partida de futebol.
(re)(in)sistente este meu pai.
***
papai e mamãe assim quiseram e,
já nasci cheio de pretensões e sonhos de maternidade.
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lua morena hoje vive só, sozinha
mas antes, antigamente, já namorou o sol.
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(noite qualquer que nem datada merece ser)
da varanda reparo o movimento.
não são pessoas que passam, é só o vento que corre.
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sou hermafrodita e todas as vezes que gozo dormindo acordo grávido(a)
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ali, naquela esquina conversam as melhores mentes do bairro.
chegue lá, ouça e veja como elas só mentem.
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furúnculos,
são motins de rebeldes que cavam um túnel pra fugirem desta prisão móvel.
***
ontem, agora, neste momento me confundi pensei que fosse amanhã.
acordei, fiz o café, liguei a tv, botei o lixo pra fora, topei e caí na real.
putz, agora ainda é hoje e o amanhã cheio de pretensões só acorda mais tarde.
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mãe ausente, filha carente
depressa nos vestimos, ligamos a tv e ficamos ali, fingido
sua mãe devagarzinho entra, fala, deita e fica ali, deitada, fingindo acreditar.
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é lógica,
o poema é o cárcere do poeta. o poema nunca será cárcere, logo, o poeta nunca será preso.
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aquela bunda me deixou louco, aquela bunda me deixou melado.
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o que tu ta olhando? nunca viu um poema?
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quero a paisagem de um mundo novo, não uma miragem, tosco foto manchada.
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07/05/09
lamentos de uma freira ou de uma quase virgem,
...eu tive um amor, um amor que só me causou dor...
mas volte amor, volte a me causar dor com seu imensopênis.
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férias,
enfim posso voltar a fazer tudo o que deixei pra depois.
enxugar o banheiro desembaraçar os cabelos,
posso até dormir um pouco mais e esquecer tudo que deixei pra depois.
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dia nublado. (alguém morreu) na poltrona eu e memórias nos recordamos doutro dia.
e a chuva que demora e o carro que quase mata o cão.
no fim, nada trágico tudo é vão.
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ejaculação precoce
ela tirou a blusa e ele, gozou.
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provocação
esta folha aqui é cheirosa. essa daí que tu ta olhando, é só uma cópia.
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torneira
de pingo em pingo vão me enchendo o saco.
prestes a transbordar, enfim calam a boca.
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no barzinho da esquina (enquanto bebíamos) ela viu um prendedor de roupas na toalha de mesa, e sem perder tempo atacou:
-amor, lembrei da tua mãe...
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ela de mim pediu tudo eu que nada sou broxei.
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ela só pensa nisso, ele só naquilo. sendo isso oral e nisso anal, esse casal é muy loco.
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não mais preciso do que queria, envelheci.
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amorzinho meu vacilou e bem na hora que lhe dei o meu amor, peidou.
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vejo.
esqueço o que vi.
vou dormir.
agora não adianta mais e pra tudo, já é tarde.
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pensei em comer meu cu, mas tive medo de rasgar.
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.reta.
(entre dois pontos)
caminho chato.
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o apaixonado
-o que procuramos no horizonte distante? -eu procuro o que você procura e quando descobrir buscarei pra nós.
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o ciumento possessivo
-o que procuramos no horizonte distante? -eu procuro o que você procura e quando descobrir irei destruir.
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o realista pés no chão
-o que procuramos no horizonte distante? -eu procuro o que você procura e quando descobrir ficarei sabendo.
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não tenho nenhum poema. infelizmente ninguém nunca escreveu um pra mim
e eu,
eu nem quero me falar.
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um bom dia para um poema foi aquele que acordei, e fui dormir.
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a tarde se esvai enquanto escrevo...
e só assim se mata o tempo sem ser criminoso.
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me engano,
tento ser poeta porque não encontrei nada melhor pra fazer, nem lugar melhor pra me esconder.
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tirar o caneco de banda
prefiro não me complicar: -tudo é relativo!
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(poeminha contextualizado) Simplício Mendes ou calçadão
sufoco, suor cabeça dando um nó.
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vício submisso
quando eu te quiser, (tu), ou sim/ou não
eu é que decido
tudo está aqui na minha mão (ou não)
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o embaraço é sutil, não passa de nós e laços.
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06/05/09
tentamos uma fusão Vozes Gritos Tapas e Beijos aí esta a confusão.
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agora que a poesia me cansou este poema vai ficar assim mesmo: triste.
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meu pinto tem cheiro de flor, deve ser a flor do meu amor.
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ainda não
sorrateiramente olhei o relógio e dela roubei mais uns minutos.
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presente grego
(e para os religiosos não poderia esquecer de deixar minha mensagem subliminar)
"six six six is number six six six amém"
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decepção
no banco de cabeça pra baixo ninguém senta.
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poemas para as coisas que nunca chegam...
não tenho tanta pressa sim como os que vivem correndo. prefiro: demorar mais um pouco.
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mudando de pau pra cacete
rasguei minhas referências mas de nada adiantou,
elas estavam enraizadas
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mentira
quando acabar a novela fecho a janela e vou estudar.
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rodoviário circular 1
naquela parada de ônibus uma garota me disse: -ame, é de graça! pensei ser um conselho, nada, era uma cantada.
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amizade colorida
eu tinha um amigo e meu amigo, metia.
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(poema da série: a quebra de ideologias)
au au au fez o cão ai ai ai fez o ladrão logo, cão que ladra também morde.
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o tempo tem fome fome de fatos todos os dias na hora do almoço ele devora crianças famintas.
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ansiedade de sonho
encostado em pé fecho os olhos esqueço do ônibus esqueço de hoje e tentando antecipar vivo o amanhã.
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amorzinho... desculpa por ontem a noite, é que minha net caiu.
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o homem só do beco ficou manjado e em quase todo poema ele é achado.
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poema sem conteúdo
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pro nicolas behr
minha poesia não é a grande poesia de Nicolas mas é a certeza de que estou vivo.
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ontem a noite na cama vários poemas pensei hoje, agora só me lembro disto.
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minha casa tem palmeiras, mas continuo sendo, corintiano!
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rapidinha:
-amorzinho, tu gostou? -de quê mesmo?
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fazer poemetos bestas é passar noites em claro tentando sacar algo. fazer poemas bons, eu não sei.
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destinatalho:
tava sem grana pra mandar uma carta pra tão longe.
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isso é um poema?
meu poema é fácil (fácil e descompromissado) e desconheço a forma do difícil e se conhecesse que diferença faria para o meu poema fácil? meu poema é besta mesmo e acha que é assim porque quer então, ame-os ou deixe-os.
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(é) impossível se ver tanta poesia e não escrever um só poema.
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05/05/09
enchi meu saco antes do que pensei. agora, transbordando... só me resta o teu.
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nunca tive coragem para abrir aquela janela:
por detrás deve existir quase nada de importância, melhor assim então.
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chove lá fora, o céu desabando.
eu aqui, resistindo, o sono devorando.
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livros na estante (provocantes) entendam meu cansaço (fracasso)
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poema sem espaço pra discussões acadêmicas ou de beira de esquina
aqui esta escrito: ASSIM!
não leia assado.
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os dois velhinhos da mãos dadas assistem ao décimo capítulo da novela e mau sabem que pra eles a trama acaba ali.
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(este não é um poema de crítica social)
amanhã o Timão joga (deus queira) bem.
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queria dizer:
-rasgo tudo o que escrevi esta noite e amanhã farei tudo novamente.
agora, que já disse e nada mais adianta, só me falta o que rasgar.
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verdade nua e crua,
este é um poema sem máscaras é o que é: belo e modesto.
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sentei todo derramando na cadeira preguiçosa.
com o caderno na mão, olhava as estrelas e espera um poema.
parei de olhar para o alto e escrevi isto.
agora, conformado, descobri: -poemas não são fáceis.
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um mundo novo estranhamente caiu em minhas mãos.
e agora poesia, o que eu faço contigo mulher?
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sou um mau poeta. nunca soube o que é poesia. digo que sinto, minto.
(este foi um poema pílula, daquelas de farinha mesmo, indicado para poetas falidos que buscam quem sabe, um afronta)
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dizem por aí que tá fora de moda escrever poemas como este(s)
poema meu que não usa máscaras nem lacinhos, tá é cagando pra moda.
***
poema marginalizado
"rio, ri de mim enquanto passa?"
(com esta metáfora nosso poema acima citado, nunca entrou em livro algum)
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luzes da cidade luzes das estrelas luz da tv luz de minhas idéias
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(estopimprum poeta medíocre ou quem sabe o maior de todos)
quem disse que não sou poeta?
minha poesia tem público sim, né verdade amorzinho?
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o poema
inesperadamente cai do céu no papel
(a caneta falha ao escrevê-lo)
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meu poema (que nem poema é) cheio de marra range os dentes e me faz chorar.
***
este é mais um verso que clama.
nada comedido, ele, obsceno acena com o pinto e pinta o sete enquanto trovões riscam a noite e a caneta o papel.
***
conquista
é esta a poesia aprisionada que grita, que quer vingar
ser vista, ser lida, re-vista
largada de mão em mão
***
ando meio à toa,
poema, tu é de longe pretensão.
tipo estilo curto, que curte. tipo sem estilo, chapisco.
***
lá se vai toda a baboseira idealista:
sangue do último guerreiro escorrendo (suco de morango descendo pelo esgoto)
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vou deitar
. .respingos da chuva. .terra molhada. .clarões pela vidraça. .
em meio a tanta vida, quem sabe sai um verso.
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meu verso, que é meu mesmo ta nem aí pressas regrinhas bestas.
mas, digo é no inicio de frase se quiser. me-deixa, também.
***
um dia desses acordei:
olhei, li, analisei, re-li e conclui:
-pesadelo cruel este!
nesse mesmo dia, idiotice a minha voltei a dormir.