10/07/09


Alguém bate palmas,
Toca a campainha e corre,
Se esconde.

A rua está vazia,
O corpo está com fome,
A vida padece.

No céu uma nuvem toma forma:
Um grande elefante branco comendo Ruffles.

***

(um outro começo)
...

21/05/09

herói,

na periferia,
numa viela escura
chove grosso

numa calçada
um triste cão com seu osso
resiste ao frio e à fome.

***

20/05/09


o presente de meu pai:

cabeça torta,
porta entreaberta,
quarto escuro

roberta, mulher esperta, ataca:
-entra rapaz, relaxa, deixa de marra!

acanhado, olhando pro chão, o rapaz desdobra:
-certo, mas, onde ponho a roupa?

***

19/05/09


a buceta espera na esquina.

o instante é fotografado por um turista:

a-noite-sendo
os casarões, a esquina,
a rua antiga do centro,
a luz amarela do poste, a velha banguela que passa e pragueja
o cão faminto, o moço que demora...

***

18/05/09


cabelo sangra de tamanho
aranhas tecem teias
formigas conspiram
café esfria

emaranhados de capim seco
passam como nos faroestes americanos,
anunciam algo,

nem ligo,
espero ela ligar.

***

17/05/09


sabe como me imagino um dia desses?
sentado nalgum lugar terminando este poema.

***

16/05/09


a mãe,

que desde sempre sonhara com um filho poeta,
não perdia tempo:

-menino, vá brincar...

vida vazia não enche poema!

***

15/05/09


23:46

é tarde demais,
mas logo, daqui a uns minutos,
será cedo:

dia novinho em folha.

***

14/05/09


este poema é sincero:

não termine a leitura.
ela não vale seu tempo.

***

13/05/09


descanso,

deitar e sentir
os ossos furando o magro corpo pesado

(ventilador amenizando o calor,
relógio cumprindo seu dever)

***

12/05/09


papo de segurança

homem entra no banco:
-relaxa, é branco.

***

11/05/09


respingos poéticos,

cheiro de terra molhada
histórias de terror
cadeira de balanço
casa da avó

chove lá fora, aqui dentro
é só a lembrança caindo do telhado.

***

10/05/09


sorry,
new estopim,

eis o que todo poeta
(ou não)
quer
:

-uma fase novinha em folha.

***

09/05/09


enchente,

memórias amontoadas
transbordam
e escorrem pelos olhos.

(cabeça de lado, travesseiro, noite de sábado)

***

08/05/09


o poema está chegando:

loading...

***

saí em busca de uma vida melhor,

encontrei várias,
só não pude vivê-las.

***

quero sentir a poesia de teus poemas.
quero sentir sem perder tempo com dicionários.

desde então,
esta foi minha praga
e ela teve que aguentar.

***

noite fria, letra feia
abuso o poema até a última linha,
é ele ou nada.

até a última gota de tinta a caneta resiste
e o poema se torna heróico.

deito, há algo em meu corpo.
a poesia é visceral.
o poema animal relincha, urge, sangra.

hoje, antecipo:
meu sono não passará em branco de sonhos.

***

o ultimo filme pornô que vi
foi uma foda minha
que assistir todinha
pelo espelho.

***

ontem a noite
cansei de tanta informação
desliguei o computador, o rádio, a televisão
e deitado
olhei as paredes brancas de meu quarto

ontem a noite me cansei de tanta informação,
hoje pela manhã, não.

***

papai noel, filho da puta,
depois que cresci
se esqueceu de mim.

***

inspiração,

começo a desconfiar
que exista sim.

***

ameaça barata,

bicho escroto, nojento, pestilento
sai logo do meu sapato
antes que eu te suje
com meu pé.

***

despedida do namorado motoboy,

é chegada a hora amor
tenho que ir embora

começou a chover,
o frio lá fora

é chegada hora.

***

o instante...

(os sentidos falham)

...passa.

***

tudo tão calmo...

e lá no escuro já não moram monstros.

tudo assim,
meio muito comum.
tudo assim,
meio muito chato.

agora digo:
-o céu nem é tão azul.

e toda a baboseira idealista se esvazia.
agora,
estou crescendo.

***


na minha rua
depois da novela
as luzes vão se apagando.

ali, mesmo depois de um dia duro de trabalho,
pedro, firme, vê mais uma partida de futebol.

(re)(in)sistente este meu pai.

***

papai e mamãe assim quiseram e,

já nasci cheio de pretensões
e sonhos de maternidade.

***

lua morena
hoje vive só, sozinha

mas antes, antigamente,
já namorou o sol.

***

(noite qualquer que nem datada merece ser)

da varanda reparo o movimento.

não são pessoas que passam,
é só o vento que corre.

***

sou hermafrodita
e todas as vezes que gozo dormindo
acordo grávido(a)

***

ali, naquela esquina
conversam as melhores mentes do bairro.

chegue lá,
ouça e veja como elas só mentem.

***

furúnculos,

são motins de rebeldes
que cavam um túnel
pra fugirem
desta prisão móvel.

***

ontem, agora, neste momento
me confundi
pensei que fosse amanhã.

acordei,
fiz o café,
liguei a tv,
botei o lixo pra fora,
topei
e caí na real.

putz, agora ainda é hoje
e o amanhã cheio de pretensões
só acorda mais tarde.

***

mãe ausente, filha carente

depressa nos vestimos, ligamos a tv
e ficamos ali, fingido

sua mãe devagarzinho entra, fala, deita
e fica ali, deitada, fingindo acreditar.

***

é lógica,

o poema é o cárcere do poeta.
o poema nunca será cárcere,
logo, o poeta nunca será preso.

***

aquela bunda
me deixou louco,
aquela bunda
me deixou melado.

***

o que tu ta olhando?
nunca viu um poema?

***


quero a paisagem de um mundo novo,
não uma miragem, tosco foto manchada.

***

07/05/09


lamentos de uma freira
ou de uma quase virgem,

...eu tive um amor,
um amor que só me causou dor...

mas volte amor,
volte a me causar dor
com seu imenso pênis.

***

férias,

enfim posso voltar a fazer
tudo o que deixei pra depois.

enxugar o banheiro
desembaraçar os cabelos,

posso até dormir um pouco mais e esquecer
tudo que deixei pra depois.

***


dia nublado.
(alguém morreu)
na poltrona eu e memórias
nos recordamos doutro dia.

e a chuva que demora
e o carro que quase mata o cão.

no fim, nada trágico
tudo é vão.

***


ejaculação precoce

ela tirou a blusa
e ele,
gozou.

***

provocação

esta folha aqui é cheirosa.
essa daí que tu ta olhando,
é só uma cópia.

***

torneira

de pingo em pingo
vão me enchendo o saco.

prestes a transbordar,
enfim calam a boca.

***

no barzinho da esquina
(enquanto bebíamos)
ela viu um prendedor de roupas
na toalha de mesa,
e sem perder tempo atacou:

-amor, lembrei da tua mãe...

***

ela
de mim
pediu tudo
eu
que nada sou
broxei.

***

ela só pensa nisso,
ele só naquilo.
sendo isso oral
e nisso anal,
esse casal é muy loco.

***

não mais preciso do que queria,
envelheci.

***

amorzinho meu vacilou
e bem na hora
que lhe dei o meu amor,
peidou.

***

vejo.

esqueço o que vi.

vou dormir.

agora não adianta mais
e pra tudo,
já é tarde.

***

pensei em comer meu cu,
mas tive medo de rasgar.

***

.reta.

(entre dois pontos)

caminho chato.

***

o apaixonado

-o que procuramos no horizonte distante?
-eu procuro o que você procura e quando descobrir
buscarei pra nós.

***


o ciumento possessivo

-o que procuramos no horizonte distante?
-eu procuro o que você procura e quando descobrir
irei destruir.

***

o realista pés no chão

-o que procuramos no horizonte distante?
-eu procuro o que você procura e quando descobrir
ficarei sabendo.

***

não tenho nenhum poema.
infelizmente ninguém nunca escreveu um pra mim

e eu,

eu nem quero me falar.

***

um bom dia para um poema
foi aquele que acordei,
e fui dormir.

***

a tarde se esvai enquanto escrevo...

e só assim se mata o tempo
sem ser criminoso.

***

me engano,

tento ser poeta porque não encontrei nada melhor pra fazer,
nem lugar melhor pra me esconder.

***

tirar o caneco de banda

prefiro não me complicar:
-tudo é relativo!

***

(poeminha contextualizado)
Simplício Mendes ou calçadão

sufoco, suor
cabeça dando um nó.

***


vício submisso

quando eu te quiser,

(tu)
,
ou sim/ou não
eu é que decido

tudo está aqui na minha mão
(ou não)

***

o embaraço é sutil,
não passa de nós e laços.

***

06/05/09


tentamos uma fusão
Vozes Gritos Tapas e Beijos
aí esta a confusão.

***

agora
que a poesia me cansou
este poema
vai ficar assim mesmo:
triste.

***

meu pinto tem cheiro de flor,
deve ser a flor do meu amor.

***

ainda não

sorrateiramente
olhei o relógio e dela
roubei mais uns minutos.

***

presente grego

(e para os religiosos não poderia
esquecer de deixar
minha mensagem subliminar)

"six six six is number
six six six
amém"

***

decepção

no banco de cabeça pra baixo
ninguém senta.

***

poemas para as coisas que nunca chegam...

não tenho tanta pressa sim
como os que vivem correndo.
prefiro:
demorar mais um pouco.

***

mudando de pau pra cacete

rasguei minhas referências
mas de nada adiantou,

elas estavam enraizadas

***

mentira

quando acabar a novela
fecho a janela
e vou estudar.

***

rodoviário circular 1

naquela parada de ônibus uma garota me disse:
-ame, é de graça!
pensei ser um conselho,
nada, era uma cantada.

***

amizade colorida

eu tinha um amigo
e meu amigo,
metia.

***

(poema da série: a quebra de ideologias)

au au au fez o cão
ai ai ai fez o ladrão
logo,
cão que ladra
também morde.

***

o tempo tem fome
fome de fatos
todos os dias na hora do almoço
ele devora
crianças famintas.

***

ansiedade de sonho

encostado em pé
fecho os olhos
esqueço do ônibus
esqueço de hoje
e tentando antecipar
vivo o amanhã.

***

amorzinho...
desculpa por ontem a noite,
é que minha net caiu.

***

o homem só do beco
ficou manjado
e em quase todo poema
ele é achado.

***

poema sem conteúdo

***

pro nicolas behr

minha poesia não é
a grande poesia de Nicolas
mas é a certeza
de que estou vivo.

***

ontem a noite
na cama
vários poemas pensei
hoje, agora
só me lembro disto.

***

minha casa tem palmeiras,
mas continuo sendo, corintiano!

***

rapidinha:

-amorzinho, tu gostou?
-de quê mesmo?

***


fazer poemetos bestas
é passar noites em claro
tentando sacar algo.
fazer poemas bons,
eu não sei.

***

destinatalho:

tava sem grana
pra mandar uma carta
pra tão longe.

***

isso é um poema?

meu poema é fácil
(fácil e descompromissado)
e desconheço a forma do difícil
e se conhecesse
que diferença faria para
o meu poema fácil?
meu poema é besta mesmo
e acha que é assim porque quer
então,
ame-os ou deixe-os.

***


(é)
impossível
se ver tanta poesia
e não escrever um só poema.

***

05/05/09


enchi meu saco antes do que pensei.
agora, transbordando...
só me resta o teu.

***

nunca tive coragem
para abrir aquela janela:

por detrás deve existir
quase nada de importância,
melhor assim então.

***

chove lá fora,
o céu desabando.

eu aqui, resistindo,
o sono devorando.

***

livros na estante
(provocantes)
entendam meu cansaço
(fracasso)

***

poema sem espaço
pra discussões acadêmicas
ou de beira de esquina

aqui esta escrito:
ASSIM!

não leia assado.

***

os dois velhinhos da mãos dadas
assistem ao décimo capítulo da
novela
e
mau sabem
que pra eles
a trama acaba ali.

***


(este não é
um poema de crítica social)

amanhã o Timão joga
(deus queira)
bem.

***


queria dizer:

-rasgo tudo o que escrevi esta noite
e amanhã farei tudo novamente.

agora,
que já disse
e nada mais adianta,
só me falta o que rasgar.

***


verdade nua e crua,

este é um poema sem máscaras
é o que é:
belo e modesto.

***


sentei todo derramando na
cadeira preguiçosa.

com o caderno na mão,
olhava as estrelas e
espera um poema.

parei de olhar para o alto
e escrevi isto.

agora, conformado, descobri:
-poemas não são fáceis.

***


um mundo novo
estranhamente caiu em minhas mãos.

e agora poesia,
o que eu faço contigo mulher?

***


sou um mau poeta.
nunca soube o que é poesia.
digo que sinto,
minto.

(este foi um poema pílula,
daquelas de farinha mesmo,
indicado para poetas falidos
que buscam quem sabe,
um afronta)

***


dizem por aí
que tá fora de moda
escrever poemas como este(s)

poema meu
que não usa máscaras
nem lacinhos,
tá é cagando pra moda.

***


poema marginalizado

"rio,
ri de mim enquanto passa?"

(com esta metáfora
nosso poema acima citado,
nunca entrou em livro algum)


***


luzes da cidade

luzes das estrelas
luz da tv
luz de minhas idéias

***


(estopim prum poeta medíocre
ou quem sabe o maior de todos)

quem disse que não sou poeta?

minha poesia tem público sim,
verdade amorzinho?

***


o poema

inesperadamente
cai do céu no papel

(a caneta falha ao escrevê-lo)

***


meu poema
(que nem poema é)
cheio de marra range os dentes
e me faz chorar.

***


este é mais um verso que clama.

nada comedido, ele, obsceno
acena com o pinto
e pinta o sete
enquanto trovões riscam a noite
e a caneta o papel.

***


conquista

é esta a poesia aprisionada
que grita,
que quer vingar

ser vista, ser lida,
re-vista

largada de mão em mão

***


ando meio à toa,

poema,
tu é de longe pretensão.

tipo estilo curto, que curte.
tipo sem estilo,
chapisco.

***


lá se vai toda a
baboseira idealista:

sangue do último guerreiro escorrendo
(suco de morango descendo pelo esgoto)

***


vou deitar

.
.respingos da chuva.
.terra molhada.
.clarões pela vidraça.
.

em meio a tanta vida,
quem sabe sai um verso.

***


meu verso, que é meu mesmo
ta nem aí pressas regrinhas bestas.

mas, digo é no inicio de frase se quiser.
me-deixa, também.

***


um dia desses acordei:

olhei, li, analisei, re-li
e conclui:

-pesadelo cruel este!

nesse mesmo dia, idiotice a minha
voltei a dormir.

***